Benefícios de Escritor

Uma das melhores coisas da profissão é receber as mensagens de leitores tão diferentes, na maioria das vezes relatando seus sentimentos ou mesmo dividindo um pouco de uma parte deles conosco. É o que nos relembra diariamente por que fazemos o que fazemos e por que amamos o que fazemos.
Esse e-mail abaixo é mais um de tantos exemplos, que no caso nem se trata de um leitor meu ainda, mas um ouvinte do cast do Cinema com Rapadura. Ele ouviu o relato que dividi no cast do Bruce Lee, sem dúvida o programa que mais me rendeu mensagens bonitas como essa.
http://cinemacomrapadura.com.br/rapaduracast-podcast/312541/rapaduracast-350-bruce-lee-a-historia-do-dragao-mestre-imortal/
Pedi permissão ao Cláudio para compartilhar a mensagem, que segue abaixo.
“Bom dia!
Antes de mais nada peço desculpas por escrever um e-mail cheio de erros de escrita, concordância gramatical, a um escritor. Pra mim é como convidar um italiano para almoçar e quebrar o spaguette ao meio antes de jogar na aguar fervente. Mas a desculpa de usar um teclado europeu funcionou até hoje, vou continuar usando. :^) Também nao posso dizer que sou um fã do universo fantastico, ainda não li nenhum livro seu, alias, você tem todos os motivos para parar de ler este e-mail agora.
Comecei a ouvir podcasts por causa do JovemNerd, que descobi no youtube e soh depois pelo nerdcast. Daih do jovem nerd para o rapaduracast é um pulo.
Ouço podcasts para pegar no sono e ontem ouvi o programa sobre o Bruce Lee (do qual também não sou fã incondicional, mas não dah para escapar da influência). No entanto este programa me fez perder horas de sono. O seu aparte contando a sua historia com seu pai veio como um soco no estomago, pela primeira vez chorei escutando um pod cast.
Eu moro na França a alguns anos. Vejo meus pais uma ou duas vezes por ano. E mesmo antes de morar por aqui jah era muito distante deles. Por varias razoes, a principal é o resultado combinação da minha natureza e do tipo de criação que eles me deram. O resultado é que se me colocar em uma sala com meu pai durante 5 horas, haverah no maximo 30 minutos de dialogo (acredite, jah fiz a experiência em uma viagem de carro mais curtas que 5 horas, mas a proporção horas faladas/silêncio constrangedor é a mesma).
O que me pegou em cheio mesmo no que você disse foi quando você sentou com seu pai na época em que vc foi contratado pela editora e explicou o que significava este feito. Mau pai jah me disse uma ou duas vezes: “Eu me realizo atraves de você, você é a continuação do que eu não pude fazer, você é meu orgulho”. Hoje eu tenho 32 anos e ha menos de 2 anos eu escrevi um “eu te amo” ao meu pai (espero poder falar antes que seja tarde).
Resumindo o email que deveria ser soh um “Oi, gostei do seu trabalho continue assim!”: Parabens pela “lucidez” de suas palavras, pelas conquistas profissionais e principalmente por ser capaz de ser alguem que pode dizer o que você disse no podcast em questão: “A ultima coisa que fiz e falei com ao meu pai foi dar um abraço e dizer obrigado por ter vindo”.
Claudio Brito”
Uma das melhores coisas da profissão é receber as mensagens de leitores tão diferentes, na maioria das vezes relatando seus sentimentos ou mesmo dividindo um pouco de uma parte deles conosco. É o que nos relembra diariamente por que fazemos o que fazemos e por que amamos o que fazemos.

Esse e-mail abaixo é mais um de tantos exemplos, que no caso nem se trata de um leitor meu ainda, mas um ouvinte do cast do Cinema com Rapadura. Ele ouviu o relato que dividi no cast do Bruce Lee, sem dúvida o programa que mais me rendeu mensagens bonitas como essa.

http://cinemacomrapadura.com.br/rapaduracast-podcast/312541/rapaduracast-350-bruce-lee-a-historia-do-dragao-mestre-imortal/

Pedi permissão ao Cláudio para compartilhar a mensagem, que segue abaixo.

“Bom dia!

Antes de mais nada peço desculpas por escrever um e-mail cheio de erros de escrita, concordância gramatical, a um escritor. Pra mim é como convidar um italiano para almoçar e quebrar o spaguette ao meio antes de jogar na aguar fervente. Mas a desculpa de usar um teclado europeu funcionou até hoje, vou continuar usando. :^) Também nao posso dizer que sou um fã do universo fantastico, ainda não li nenhum livro seu, alias, você tem todos os motivos para parar de ler este e-mail agora.

Comecei a ouvir podcasts por causa do JovemNerd, que descobi no youtube e soh depois pelo nerdcast. Daih do jovem nerd para o rapaduracast é um pulo.

Ouço podcasts para pegar no sono e ontem ouvi o programa sobre o Bruce Lee (do qual também não sou fã incondicional, mas não dah para escapar da influência). No entanto este programa me fez perder horas de sono. O seu aparte contando a sua historia com seu pai veio como um soco no estomago, pela primeira vez chorei escutando um pod cast.

Eu moro na França a alguns anos. Vejo meus pais uma ou duas vezes por ano. E mesmo antes de morar por aqui jah era muito distante deles. Por varias razoes, a principal é o resultado combinação da minha natureza e do tipo de criação que eles me deram. O resultado é que se me colocar em uma sala com meu pai durante 5 horas, haverah no maximo 30 minutos de dialogo (acredite, jah fiz a experiência em uma viagem de carro mais curtas que 5 horas, mas a proporção horas faladas/silêncio constrangedor é a mesma).

O que me pegou em cheio mesmo no que você disse foi quando você sentou com seu pai na época em que vc foi contratado pela editora e explicou o que significava este feito. Mau pai jah me disse uma ou duas vezes: “Eu me realizo atraves de você, você é a continuação do que eu não pude fazer, você é meu orgulho”. Hoje eu tenho 32 anos e ha menos de 2 anos eu escrevi um “eu te amo” ao meu pai (espero poder falar antes que seja tarde).

Resumindo o email que deveria ser soh um “Oi, gostei do seu trabalho continue assim!”: Parabens pela “lucidez” de suas palavras, pelas conquistas profissionais e principalmente por ser capaz de ser alguem que pode dizer o que você disse no podcast em questão: “A ultima coisa que fiz e falei com ao meu pai foi dar um abraço e dizer obrigado por ter vindo”.

Claudio Brito”

Pra quem escreve o autor local

Ontem sugeri pelo FaceBook que todo escritor que sonha com o mercado editorial deveria ler o texto da Luciana Villas-Boas no link:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/02/1415721-para-quem-escreve-o-autor-local.shtml

Algumas pessoas me perguntaram depois o que eu achava sobre o trecho em que Luciana fala sobre o “mais do mesmo” produzido no Brasil e criticado pelos editores, assim como de quem eu achava que seria “a culpa” por não termos uma representação maior no exterior.

Respondi por lá, mas outras pessoas me convenceram a fazer um novo post ressaltando a opinião e coloco abaixo. Minha opinião é a seguinte:

Na verdade não existem “culpados”, essa é a questão. O problema é que cada setor busca um. A editora culpa o leitor. O leitor culpa o escritor. O escritor culpa a editora. Mas na verdade o mercado é o que é de acordo com o momento.

Além disso, lá fora 95% dos autores vendem o mesmo que 95% dos autores aqui: bem pouco. Eles também produzem mais do mesmo, não é uma questão nacional exclusiva, e um autor americano estourar nos EUA é tão difícil quanto um autor brasileiro estourar aqui. O que chega aqui já está em uma triagem feita lá fora antes. Só que quando um deles estoura lá, estoura muito, porque vende pro mundo inteiro depois e gera outras plataformas. A gente ainda não tem essa estrutura por aqui, mas é aquilo, se não surgirem escritores que entendam isso e ajudem a criá-la, vamos continuar sem ter.

Agora, é fácil apontar o dedo e dizer pra um editor que ele tem de fazer isso ou aquilo, quando na hora que se tem de sentar diante dos executivos e explicar porque tal livro não vendeu o que ele achava, ele tem de assumir a culpa sozinho. Na hora que um editor é demitido, ninguém vai com ele contar a notícia pra família. Quando um livro faz sucesso, a equipe recebe mérito. Quando um livro fracassa, o editor assume solitário a culpa.

Hoje a gente tem coisas que nenhuma geração teve antes. Um contato direto com o leitor e plataformas para mostrar os textos. As editoras procuram escritores profissionais, capazes de entender isso, não escritores que usam isso pra reclamar da vida e da falta de visão das editoras da qual eles querem fazer parte.

Quanto ao escritor, sou da opinião de que ele não tem de esconder suas referências, nem mudar isso ou aquilo para agradar esse ou aquele grupo, porque ele nunca vai agradar a todo mundo. O escritor tem de escrever o que o coração dele está pedindo. Ele não precisa mudar ou esconder suas referências por receio de críticas. Se o seu coração quer escrever uma história no sertão nordestino, faça. Se pede por uma história em uma estação espacial em Marte, faça. Se pede por uma história de um nordestino em uma estação espacial marciana, faça. É isso o que vai ser seu diferencial e, acredite, o editor e o leitor vão perceber o quanto você ama aquela história, o quanto você quer essa carreira e o quanto contar aquela história lhe faz feliz.

Só isso já ajuda a separar a sua história de uma pilha com milhares buscando a mesma chance. Seja aqui no Brasil.

Seja onde for.

“Dragões de Éter” e um novo recorde

Meus queridos, preciso agradecer a vocês por mais um recorde alcançado. Nesse mês de janeiro, o box de “Dragões de Éter’ com as novas capas atingiu a impressionante marca de SEIS MESES como o livro nacional mais vendido do Submarino. Em um mercado editorial que chega a lançar 50 mil títulos por ano, isso é muito considerável.

Nunca escondi o carinho que tenho por essa empresa, já que graças à ela passei a viver de literatura e atingir números que seriam considerados surreais uma década atrás. Lançado em 2010, o box anterior de “Dragões de Éter” já havia permanecido por um ano como o item mais desejado do site (categoria que hoje não existe mais) e chegou a atingir o primeiro lugar geral do portal.

Hoje, sete anos depois do primeiro livro lançado, ver essa história ainda despertando interesse e trazendo um retorno tão positivo de vocês dentre mensagens e encontros em eventos me emociona e me faz ver magia no cotidiano.

Vocês me fazem melhor e me fazem querer sempre ser melhor. Obrigado por todo carinho. Por toda confiança.

E por serem parte da melhor parte da minha vida.

1º lugar janeiro 2014

Novela mostra personagens lendo e incentiva o hábito

Segundo o novelista, a inclusão de livros no roteiro da novela pretende incentivar o hábito da leitura no telespectador.

“Um deles é mostrar autores jovens da literatura brasileira”, diz. “E também avaliar que tipo de livro determinado personagem leria. Vega (Christiane Tricerri) estuda literatura, então, busca obras teóricas. Já Natasha gosta de literatura fantástica, então, lê autores como Raphael Draccon”, complementa.
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Só posso agradecer mais uma vez à Walcyr Carrasco pela generosidade e confiança, e parabenizar pelo trabalho em prol da divulgação da nossa literatura nacional.

Segundo o novelista, a inclusão de livros no roteiro da novela pretende incentivar o hábito da leitura no telespectador.

“Um deles é mostrar autores jovens da literatura brasileira”, diz. “E também avaliar que tipo de livro determinado personagem leria. Vega (Christiane Tricerri) estuda literatura, então, busca obras teóricas. Já Natasha gosta de literatura fantástica, então, lê autores como Raphael Draccon”, complementa.

Só posso agradecer mais uma vez à Walcyr Carrasco pela generosidade e confiança, e parabenizar pelo trabalho em prol da divulgação da nossa literatura nacional.

Enjoy.

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Novela mostra personagens lendo e incentiva o hábito

“Amor à Vida”, da Globo, presta um importante serviço ao estimular a leitura nos telespectadores

C-DSJL

Seguidores. Ao verem personagens lendo, público se sente estimulado a criar o hábito da leitura
PUBLICADO EM 11/01/14

São Paulo.

O gosto pelos livros é algo comum entre os personagens de “Amor à Vida” (Globo). Atílio (Luis Melo), Silvia (Carol Castro), Michel (Caio Castro), Thales (Ricardo Tozzi) e Natasha (Sophia Abrahão), dentre outros, são leitores assíduos que sempre aparecem com um título novo em mãos. “Quero mostrar que a leitura é algo que pode fazer parte da vida das pessoas, que faz pensar e que também é um entretenimento”, diz o autor da trama, Walcyr Carrasco.

Segundo o novelista, a inclusão de livros no roteiro da novela pretende incentivar o hábito da leitura no telespectador. “Eu era um garoto do interior, sem muita informação, quando comecei a ler Monteiro Lobato. Foi o amor pelos livros que me tornou escritor. Acredito que eles mudam vidas e quero contribuir para isso”.

Algumas obras servem como instrumento de interação na novela. Uma das leitoras vorazes da trama, Bernarda (Nathália Timberg), chegou a presentear a filha, Pilar (Susana Vieira), com um exemplar de “O Que Realmente Importa?”, de Anderson Cavalcante (Sextante). Com a divulgação, segundo a editora, as vendas do livro cresceram e já chegaram à marca de 900 mil exemplares. “Fiquei surpreso quando vi o livro na TV. Meu celular não parava de tocar. A proposta da novela é inovadora por inserir as obras no contexto do personagem”, avalia Cavalcante.

Além de ter lido todas as obras citadas, Carrasco usa outros critérios para indicá-las na novela. “Um deles é mostrar autores jovens da literatura brasileira”, diz. “E também avaliar que tipo de livro determinado personagem leria. Vega (Christiane Tricerri) estuda literatura, então, busca obras teóricas. Já Natasha gosta de literatura fantástica, então, lê autores como Raphael Draccon”, complementa.

Outro personagem que apareceu com diversos livros é Guto (Márcio Garcia). Entre os títulos lidos pelo malandro está “1889”, de Laurentino Gomes. “Meu livro apareceu em três capítulos diferentes, e a repercussão foi enorme. Espero que outros autores de novela tenham iniciativas semelhantes”, diz Gomes. “O Brasil é um país em que se lê muito pouco e toda ajuda para mudar esse cenário é bem-vinda”, complementa.

Segundo Carrasco, alguns escritores elogiaram a iniciativa. “Paulo Coelho publicou no Twitter que a novela foi mais abrangente do que a feira de Frankfurt, e Ana Maria Machado elogiou o fato de mostrarmos o livro no cotidiano das pessoas”.

O crescimento da literatura para jovens em 2013

Participação na matéria do JC Online sobre mercado editorial.

Link original: http://m.jconline.ne10.uol.com.br/t320/noticia/cultura/literatura/noticia/2013/12/22/110442

Enjoy.

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O crescimento da literatura para jovens em 2013

Publicado em 22/12/2013, às 06h06

JC Online

John Green é um dos autores mais lidos pelos jovens no Brasil

John Green é um dos autores mais lidos pelos jovens no Brasil

Divulgação

Este foi o ano da consolidação da literatura para jovens no Brasil. Se o volume de lançamentos das editoras sedentas por best-sellers vem crescendo a cada ano, agora o mercado editorial vê com clareza os resultados disso: o balanço da pesquisa GfK deste ano apontou um aumento de 24% de vendas em relação a 2012 no País. Foi o setor que mais cresceu no período. O investimento das editoras tem aumentado, com verdadeiros leilões para adquirir o direito de publicação de livros que ocuparam algumas semanas no topo da lista do jornal New York Times, por exemplo.

O fenômeno é mundial. A prestigiada revista literária inglesa McSweeney’s já registrava, em 2011, o fenômeno pelas bandas europeias, em um artigo intitulado Os jovens estão lendo mais do que você. A atenção a eles é tão grande que já existem subdivisões, bem além da ideia de “infantojuvenil”: depois da literatura “young adult” (em tradução literal, “jovens adultos”, para leitores entre 13 e 18 anos), surgiu mais recentemente o “new adult” (“novos adultos”, voltado para pessoas entre 18 e 25 anos).

A designação das faixas etárias vai se atualizando – até para medições de mercado –, mas o que realmente muda em ritmo rápido são os gêneros, inventados e revalorizados a cada nova moda. Alguns exemplos recentes são os romances de distopia (estilo clássico de obras como 1984 e Admirável mundo novo, com narrativas que se passam em futuros tenebrosos, nos quais a sociedade tem uma estrutura injusta, como em Jogos vorazes) e da sick-lit (histórias em que os personagens principais enfrentam alguma doença grave ou terminal, como A culpa é das estrelas). Outros são mais estáveis, como a chick-lit, voltada para garotas, e obras de fantasia, como Guerra dos tronos e Harry Potter.

O melhor exemplo desse crescimento da literatura para jovens no Brasil é o autor norte-americano John Green. Lançado em 2012 por aqui, seu livro A culpa é das estrelas gerou uma verdadeira moda de obras com personagens que padecem de doenças graves ou terminais (leia mais sobre o livro na página 3). Mesmo sendo do ano passado, o volume é a segunda obra de ficção mais vendida no Brasil em 2013, segundo a Publish News, da Câmara Brasileira do Livro. O sucesso de Green não para por aí. Ele ainda chegou a ter outros três títulos entre os mais vendidos ao mesmo tempo: O teorema Katherine, Cidades de papel e Quem é você, Alasca?.

Um do motivos do seu sucesso, ele reitera em entrevistas, é não menosprezar a juventude, tratando os adolescentes e os jovens com respeito. Assim, seus romances – ainda que convencionais na forma narrativa e com uma linguagem relativamente comum – propõem situações sensíveis e escolhas complexas, como a própria vida.

Não há verdades absolutas no quesito formação de leitores, contudo, acredito que a literatura de entretenimento tem uma função social e lúdica específica e, não raras vezes, serve de porta de entrada para leituras mais aprofundadas.
André de Sena, professor de letras da UFPE

“Nunca se leu tanto como agora. Ainda que em um tablet, um smartphone ou na tela de um PC, essa geração está lendo e escrevendo o tempo inteiro”, defende o escritor carioca Raphael Draccon, um dos principais autores do cenário nacional. Ele é o criador da série de fantasia Dragões de éter, um dos grandes sucessos comerciais por aqui. “O mercado de jovem adulto é um dos que mais cresce a cada dia e de onde estão saindo as novas franquias cinematográficas. Assim como aconteceu com a literatura fantástica, é impossível negar-se hoje o poder literário, comercial e de formação de leitor desse gênero”, argumenta.

Para o biólogo e blogueiro pernambucano Marcos Tavares, de 24 anos, responsável por manter o Capa & Título (capaetitulo.blogspot.com.br), uma das características dos leitores jovens é transitar por vários gêneros. “Os leitores jovens hoje são mais livres, vão atrás do que eles realmente gostam de ler. Não querem saber do que são obrigados”, opina. A estudante de Administração Brenda Lorrainy, de 18 anos, diz não ter um gênero preferido, por exemplo. “Só não leio terror – ainda tenho algum receio – e autoajuda”, diz a também blogueira e leitora voraz, que mantém o Catavento de Ideias (cataventodeideias.com).

Leia mais no Jornal do Commercio desta domingo (22/12)

A literatura fantástica no Brasil

Texto de Filipe Larêdo para o Papo de Homem.

Link original: http://papodehomem.com.br/a-literatura-fantastica-no-brasil/

Enjoy.

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A Literatura Fantástica no Brasil

Quando falamos de literatura fantástica, os primeiros nomes que vêm à nossa mente são C. S. Lewis (1898-1963) J. R. R. Tolkien (1892-1973) e George R. R. Martin (1948-).

Correto?

martin-tolkien

Porém, embora seus nomes estejam sob pedestais nos cânones divinos do estilo, para muitos brasileiros, eles não são os únicos a receber os louros. E uma produção incessante, feita nos mais diversos rincões do Brasil, vem abastecendo leitores há algum tempo.
Mas se dentre os estrangeiros, os três citados podem ser considerados como a “trindade fantástica”, aqui no Brasil a realidade está tomando um rumo bem diferente, e novas trindades genuinamente brasileiras surgem a cada instante.

Com cenários suficientemente fantásticos e mitológicos, não é de se estranhar que o Brasil consiga ser palco de fascinantes livros ambientados dentro de seu território e muito além dele. Desde o extremo norte até os pampas sulistas, muitas histórias antigas são relatadas a partir de referenciais indígenas, negros e europeus. Essa mistura faz com que ricos temas possam ser abordados por autores nacionais, cujos trabalhos, nos últimos anos, vêm ganhando destaque e espaço nas prateleiras das livrarias e nos criados-mudos dos leitores.

Esse cenário é bastante promissor, porque gera oportunidade para aqueles que já estão no batente há mais tempo e que estão limpando o terreno para novos autores. E quem formaria a “ trindade fantástica brasileira”? Mesmo correndo o risco de ser injusto com outros autores de grande destaque, não é tão absurdo dizer que eles seriam André ViancoRaphael DracconEduardo Spohr.

andre-vianco

André Vianco

Embora os índices de leitura não sejam muito promissores no Brasil, esses três autores juntos alcançam números que fogem da curva da média com sensível vantagem e podem se orgulhar de já terem vendido livros na faixa dos milhões.

Sim, é verdade. Seus fãs são fiéis e, a cada lançamento, esperam ansiosamente para ter seus livros comprados e autografados. Em tempos de crise de leitura, eles podem ser chamados de verdadeiras estrelas literárias, o que, por si só, é um fato estranho para um país que quase não lê.

Porém, eles não são os únicos que fazem o fãs chorarem de emoção ao assinar seus livros e posar para uma foto. Carolina MunhózThalita RebouçasCirilo S. LemosEric NovelloFábio M. Barreto eAffonso Solano também vêm se destacando e já contam com várias dezenas de milhares de livros vendidos, causando alvoroço em todos as palestras e lançamentos dos quais participam.

Mas e por que a grande mídia ainda resiste em lhes dar espaço?

Felizmente, no Brasil, esse tipo de literatura começou a ganhar destaque há pouco tempo, muito graças a todos esses nomes citados.

Antes deles, a fantasia no Brasil era considerada gênero de baixo escalão (a chamada “baixa literatura”) e, para muitos, não merecia ser listado como obra literária, apesar da produção estrangeira figurar como clássica em seus países de origem.

Ou alguém se atreveria a chamar O Senhor dos Anéis de baixa literatura? Ninguém em sã consciência faria isso. Antes, precisaria estar ciente de que seria alvo de uma avalanche de críticas de mestres, doutores e pós-doutores, especializados em literatura tolkeniana e que discordam, revoltosamente, de alguém que não coloque o autor de O Hobbit nas mais importantes listas de obras.

Acontece que, a crítica literária no Brasil, embora comece a apresentar sinais de mudança, ainda é bastante engessada no academicismo. Ela costuma considerar como “boa literatura” apenas aquelas obras feitas por – ou referendadas por – gabaritados professores universitários.

Raphael Draccon

Raphael Draccon

Dessa forma, forma-se um círculo preciosista totalmente desnecessário, principalmente em um país que encontra graves dificuldades de comunicação entre livros e leitores. Se esse problema ficasse apenas no âmbito da produção, já seria grave. Porém, ele se estende para toda uma elite consumidora, que negará até a morte, mas, muitas vezes nem entende o que lê, já que os livros engessados são intelectualmente herméticos, e vai até as grandes mídias, que apenas reproduzem aquilo que lhes é oferecido como a “boa literatura”.

Contudo, os leitores já não precisam dos velhos críticos literários para lhes dizer o que é bom ou não. O acesso à internet permite que as pessoas conversem entre si, organizem encontros e saibam quando e onde o seu autor preferido estará.

Um exemplo muito interessante disso é o Simpósio de Literatura Fantástica (Fantasticon). Ele surgiu em 2007 e se orgulha de ser, hoje, um dos mais importantes eventos de literatura fantástica nacional. Todos os anos, promove encontros que incentivam e enriquecem o estudo e a produção desse tipo de literatura.

Outro exemplo importante são os podcasts, que podem ser literários ou sobre cultura pop, mas que fala sobre literatura, principalmente a fantástica. Um deles é o Rapadura Cast, cujo time conta com os autores Raphael Draccon, Carolinha Munhóz, Afonso Solano, entre outros. Nele, os participantes falam sobre temas variados, mas, por conta de sua quantidade imensa de seguidores, consegue divulgar seus livros e movimentam multidões em seus eventos.

Por último, podemos citar o portal Jovem Nerd, virou uma febre nacional e, pelo selo próprio,Nerdbooks, lançou quatro livros, conseguindo vender, sem o apoio formal das grandes redes de livrarias, dezenas de milhares de exemplares. Dentre eles, destaca-se o Branca dos Mortos e os Sete Zumbis, que conseguiu sucesso tão grande que teve os direitos de publicação comprados pela Globo Livros.

Esse três exemplos são apenas aqueles que mais têm se sobressaído nos últimos anos, mas uma intensa proliferação de canais midiáticos está se estabelecendo e os leitores conseguem consumir assuntos que lhes interessam. Mesmo assim, aquela dúvida anterior (por que a grande mídia ainda resiste em lhes dar espaço?) ainda permanece, mas agora parece incomodar não os consumidores ou autores prejudicados, mas alguns medalhões da literatura nacional, como Paulo Coelho.

Eduardo Spohr

Eduardo Spohr

Um dos mais importantes autores da história nacional e, certamente, o brasileiro que vendeu mais livros em todo o mundo, decidiu que era hora de se manifestar e, simplesmente, cancelou a sua participação no maior evento literário do mundo, a Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, no qual o Brasil seria o país homenageado.

Paulo Coelho não contou conversa e falou ao jornal alemão Die Welt que abandonou o evento como protesto por autores da nossa “trindade fantástica”, André Vianco, Raphael Draccon e Eduardo Spohr não terem sido convidados para estar entre os setenta brasileiros presentes na lista. No papel de principal autor nacional vivo no cenário estrangeiro, a atitude de Paulo Coelho foi sublime.

Ele revelou, sem nenhuma trava, que aqueles autores selecionados e elitistas não resumiam de forma igualitária a literatura brasileira, uma vez que os brasileiros que verdadeiramente fazem sucesso entre seus leitores foram impedidos de participar.

A partir dessa nova postura, o cenário parece que vai mudando aos poucos. Quando uma figura como Paulo Coelho se posiciona a favor de um lado, toda a mídia abre os olhos e passa a pesquisar: mas quem diabos são esses caras?

Basta uma pequena fuçada em seus históricos para encontrar uma mina de ouro, diferente daquelas obras engessadas e inacessíveis, tomadas, supostamente, como a elite intelectual do Brasil. E esse novo apelo popular também começa a tomar forma. No mês de novembro desse ano, a novela das oito (ou nove) da Globo deu um espaço muito interessante para alguns autores, especialmente para Raphael Draccon e André Vianco, este último conseguindo, inclusive, colocar um de seus livros, Os sete, nas mãos de uma personagem, que inclusive conta um pouco da história.

Conforme a literatura fantástica brasileira vai sendo assunto nos meios de comunicação, mais leitores são conquistados. Dia após dia, o estímulo à leitura se constrói.

Porém, o cenário ideal seria que grande parte dos brasileiros soubessem quem são esses destacados autores que lutam por um lugar ao sol. Um passo seria fazer como é feito em outros países: O HobbitSenhor dos Anéis é indicado como leitura obrigatória nos colégios. Com livros como esses, dificilmente uma criança ou adolescente não vai criar carinho pelo ato de ler.

Nada contra os antigos clássicos da literatura brasileira, mas precisamos abandonar os arcaicos e conservadores comportamentos para entender que existe um extraordinário mundo novo lá fora, recheado de vampiros aterrorizando Osasco em A noite Maldita de André Vianco, Dragões de Éterde Raphael Draccon e O Inverno das Fadas, de Carolina Munhóz.

“Fios de Prata” na novela “Amor à Vida”

sophia

Ontem minha rede social explodiu e até minha mãe pulou do sofá de surpresa devido a um fato totalmente inesperado: uma citação a mim e a “Fios de Prata” na novela “Amor à vida”, de Walcyr Carrasco.

Na trama, a personagem Natasha, interpretada pela atriz Sophia Abrahão, citou inclusive uma breve sinopse do livro, quase causando um infarto de surpresa em mim e nos leitores.

Quem quiser ver ou rever a citação, só clicar no link abaixo:

http://globotv.globo.com/rede-globo/amor-a-vida/t/cenas/v/leila-tenta-convencer-thales-a-aplicar-golpe-em-natasha/2966262/

Já quem quiser saber mais sobre o livro, só acessar o link abaixo.

http://globotv.globo.com/rede-globo/amor-a-vida/t/cenas/v/leila-tenta-convencer-thales-a-aplicar-golpe-em-natasha/2966262/

Enjoy!

Casal de escritores juvenis é recebido por centenas de fãs na Bienal

Matéria do iBahia da Globo.com sobre a passagem pela Bienal.

Link original: http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/casal-de-esritores-juvenis-e-recebido-por-centenas-de-fas-na-bienal/?cHash=aba451360da31945dfac14a3a2bd67d9

Enjoy.

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Casal de escritores juvenis é recebido por centenas de fãs na Bienal

Guilherme Reis*
ibahiaRaphael Draccon e Carolina Munhóz falaram sobre literatura fantástica na programação juvenil do evento

O penúltimo dia da Bienal do Livro da Bahia 2013, neste sábado (16), foi marcado pela cultura pop. Compondo a programação do ‘Território Jovem’, o casal de escritores Raphael Draccon e Carolina Munhóz trouxe mais de 300 jovens ao auditório Ubiratan Castro de Araújo (por falta de espaço, a apresentação precisou ser transferida para o local).

Com mais de 200 mil exemplares vendidos, Draccon, que se tornou conhecido pela série de romances fantásticos ‘Dragões de Éter’, falou de forma bem humorada sobre a recepção do público de Salvador: “O clima aqui é como em estreia de cinema, está em chamas (risos). E a recepção é maravilhosa como sempre, o povo baiano é muito carinhoso”, diz.

Casados e morando no Rio de Janeiro, os escritores afirmaram, em entrevista ao iBahia, que o fato de morarem na mesma casa é ótimo para a profissão. “É muito gostoso ter uma pessoa que te entende, entende os seus horários, que final de semana é dia de trabalhar, que estar na Internet é trabalho também. E trocamos ideias, pensamentos para os próximos livros”, conta Carolina, autora dos sucessos juvenis ‘A Fada’, ‘O Inverno das Fadas’ e do recém-lançado ‘Feérica’.

Raphael, que até recentemente foi editor da esposa no selo Fantasy – Casa da Palavra, pertencente à editora Leya, brincou com a situação: “O chicote já é em casa mesmo. Se não estiver bom, já vai reescrever logo. Porque escrever é reescrever, não tem jeito. Nunca o tratamento que a gente faz em um texto está bom. E a profissão de escritor é muito solitária, você nunca sabe o que está bom; é preciso sempre uma pessoa ler”, observa.

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Fãs se aglomeram na fila à espera do autógrafo dos autores

Depois de anos na Leya, no mês passado os autores anunciaram oficialmente sua migração para a Rocco, editora responsável pelos direitos de publicação da série Harry Potter no Brasil. Com essa nova etapa em sua carreira, Raphael, que também era coordenador do selo Fantasy, pretende dedicar-se integralmente à literatura – e também ao cinema, seu sonho desde a adolescência. “Tinha que escolher: ou o mercado editorial em si ou a área cinematográfica”, declara.

Aos 25 anos de idade e com três romances publicados no currículo, Carolina começou a se interessar por literatura aos 12 anos, época em que teve o primeiro contato com a série Harry Potter. Sem amigos e alvo de bullying no colégio, ela conta que os livros da britânica J. K. Rowling foram fundamentais para superar aquele estado de espírito. “J. K. [Rowling] me influenciou de todas as formas. Tive uma infância muito triste, então Harry Potter foi minha referência”.

No mês de agosto, Draccon causou polêmica na Bienal do Rio, ao afirmar que, nos dias de hoje, Rubem Fonseca não seria publicado. Mal interpretado, o escritor discorria sobre as mudanças ocorridas no mercado editorial, que obriga os autores a estabelecer um permanente canal de comunicação com os leitores. “O autor que não der a cara a tapa está fora do jogo. É preciso ir a feiras, eventos literários. O fato de sermos escritores faz com que nos comuniquemos com milhares de pessoas”, analisa.

Fã do casal, o leitor Douglas Moura, 17 anos, viajou cerca de nove horas para ver os ídolos. Morador da cidade de Cansanção, a 340 Km de Salvador, o jovem afirma que a obra de Draccon abriu-lhe as portas para vários outros autores de literatura fantástica: “Conheci Draccon por meio de uma entrevista que ele deu a um programa na Internet. Logo depois comprei ‘Fios de Prata’ e me apaixonei pela história e pela vida dele. Depois disso, conheci outros autores, como o Eduardo Spohr”.

*Com supervisão de Márcia Luz

Matéria da Rede Globo – Literatura jovem na Bienal BA 2013

G1

Matéria da rede Globo: “Crianças e adolescentes têm dia especial na Bienal do Livro nesse sábado”.

Para assistir ao vídeo no G1, só acessar o link: http://g1.globo.com/videos/bahia/batv/t/edicoes/v/criancas-e-adolescentes-tem-dia-especial-na-bienal-do-livro-neste-sabado/2960501/

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Matéria: Correio da Bahia – Bienal da BA 2013

Matéria Correio BA 2013

Matéria de Alexandro Mota para Correio da Bahia sobre minha participação com Carolina Munhóz na Bienal da Bahia 2013.

Link original: http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-1/artigo/ultimo-dia-da-bienal-do-livro-da-bahia-tem-escritor-joao-ubaldo-ribeiro/

Enjoy.

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Alexandro Mota

Ao sair de Cansanção, a 340 Km de Salvador, para participar, ontem, da Bienal do Livro da Bahia, o estudante Douglas Moura, 17 anos, ouviu dos pais: “Vá lá ver os velhos, os barbudos”. Tivessem eles acompanhado o rapaz veriam que os ‘queridinhos’ da literatura infantojuvenil nada têm a ver com essa figura: são, na verdade, jovens, conectados e curtem histórias de fadas e vampiros.

Também gostam de falar do relacionamento com as amigas e querem entender a cabeça dos pais. Ontem, no penúltimo dia da bienal, nomes como Thalita Rebouças, Raphael Draccon e Carolina Munhóz atraíram adolescentes, crianças, admiradores da literatura fantástica e interessados no universo teen. Thalita, pela primeira vez no evento, debateu sobre Traição entre Amigas, título do seu primeiro livro.

A jornalista divulga a segunda edição do livro Ela Disse, Ele Disse – O Namoro (Rocco), parceria com Maurício de Souza. No início de sua mesa, rolou até “parabéns” pelo aniversário da moça, na semana passada. E para quem acha que os adolescentes não leem, a estudante Adielle Lago, 15, garante: “Muitos têm lido mais, por causa de livros que falam de coisas que vivemos. Adoro Thalita por causa disso”.

Casados, Raphael e Carolina mataram curiosidades sobre suas carreiras. Ele, autor da série Dragões de Éter (LeYa). Ela, eleita a melhor escritora em 2011 com o livro A Fada (Novo Século). “É bom ser casado com um escritor, por ele entender que madrugada é hora de produzir, que estar em Salvador em pleno sábado não é pra ir à praia, mas para trabalhar”, disse  ela. Draccon tirou risos da plateia. “Estou me sentindo o rei do camarote. Lotar um auditório da Bienal agrega valor”, brincou.

A apresentação precisou ser transferida de espaço devido ao grande público, de mais de 300 jovens. Provocados sobre referências estrangeiras, os autores rebateram com novidades: Carolina promete um livro ambientado no Rio de Janeiro. “O Brasil é muito rico pelo seu folclore, há muitas criaturas mágicas que precisam ser exploradas”, disse. “O público brasileiro aprendeu a apreciar seus autores desses estilo. Ter referências do exterior não é ruim”, completou Raphael, que elegeu Capitães da Areia, de Jorge Amado, como melhor livro que leu. “Olha, estou aqui hoje na terra do cara”, lembrou. A bienal termina  hoje, com visitação das 10h às 22h. O ingresso custa R$ 4/ R$2. 

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